Hipócrates
e o Código de Hamurabi politicamente correto
Hipócrates de Cós foi um grande médico da
antiguidade. Contemporâneo de Platão e Aristóteles, ele formulou um famoso
juramento, que hoje leva seu nome, em que dizia:
“...Aplicarei os regimes para o bem do doente
segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a
alguém. A ninguém darei por comprazer, nem remédio mortal nem um conselho
que induza a perda....do mesmo modo não darei a nenhuma mulher uma substância
abortiva. Em toda casa, aí entrarei para o bem dos doentes...”
Por ter assim regulado sua prática curativa,
é por Hipócrates, o Pai da Medicina, que se dá a gênese da Ética Médica. Suas
normas morais sobrepunham o Código de Hamurabi, violento e vingativo,
reestabelecendo a compaixão e dedicação àquele em sofrimento.
Nas muitas
voltas da História, a Ética renasce como a fênix no Iluminismo
A Idade Média, carinhosamente apelidada
“Idade das Trevas” não recebeu tal título em vão. Em sua duração, a discussão
filosófica não era bem vista e, assim como qualquer investigação científica, a
Ética foi subjulgada ao controle religioso, sendo pouco discutida. É no
Iluminismo que nossos preceitos éticos voltam a ser questionados. Conhecido
também como o “divórcio” entre a Religião e a Ciência, o período iluminista
permitiu pôr luz sobre o homem, sua biologia, a compreensão de seu corpo e foi
então necessário regular essa prática.
Bioética no
fluxo da Ciência
Ao seguir das décadas e séculos, a Ciência
tomou o interessante rumo do estudo médico do homem e a Ética precisou
evoluir, caminhando ao passo dos grandes filósofos. É claro que nem tudo foram
flores, mas as discussões sobre legados filosóficos enriqueceram o pensamento ético. Veja o exemplo a seguir.
Durante
séculos, a relação entre homem e animal foi motivo de debate.
Certamente,
diferentes épocas permitiam diferentes interpretações. Descartes, por exemplo,
acreditava que a linguagem era a maior diferença entre homens e animais,
tirando desses últimos a sua sensibilidade.
Voltaire,
por sua vez, não concordava com René, alfinetando sua proposição.
Foi
Darwin, em sua parcimônia e profundo estudo sobre as espécies que iluminou a
questão, dando ao homem o caráter animalesco do desenvolvimento biológico e a
consciência necessária à evolução, sem retirar dos animais o direito às
sensações.
Mas se você está pensando que toda essa
discussão foi suficiente para formular a ética que temos hoje, você está
enganado! Não foram necessárias apenas décadas, mas séculos e só lá na década
de 1920 que Fritz Jahr colocou, de uma vez por todas, o nome “Bioética” no
papel.
Fritz Já
sabia
Durante
seus estudos em teologia, Jahr desenvolveu um pensamento complexo e normativo
sobre a discussão acima. Lançou, em 1927, um artigo nomeado Bioética: uma revisão do relacionamento ético
dos humanos em relação aos animais e plantas", em que defendia “Bioética como a emergência de obrigações éticas não apenas com o homem, mas
a todos os seres vivos”. A repercussão de seu artigo abriu as portas para o
desenvolvimento da Bioética como ramo independente, tendo seus fundamentos
descritos no livro de Albert S:
E assim, com tudo bem claro e documentado, a
gente esperava que a ciência médica andasse de mãos dadas com a Bioética, mas a
realidade não foi bem assim. Vários casos de médicos não familiarizados com a
intenção bioética ocorreram após o seu surgimento. Quando, finalmente, em 1970,
Van Rensselaer Potter, um notável bioquímico, sugere a "Bioética Ponte".
A Ponte a qual Potter se refere é a conexão
entre os conhecimentos gerados na área científica e os valores morais da
humanidade.
Para adequar a Bioética Ponte à realidade social, em 1978, Tom Beauchamp
e James Chidress
publicaram o livro “Principles of Biomedical ethics” que consagrou os
princípios bioéticos de resolução de dilemas:
O conjunto desses preceitos ficou conhecido como “Principialismo”, tendo
sofrido duras críticas quanto à justiça social incompleta no modelo.
Para acompanhar as mudanças sociais e se tornar mais adequada à
realidade atual, surgiu, em 2001 a:
E o Brasil?
Aqui, foi apenas na década de 1980, com a criação do Conselho Nacional de Saúde (CNS), que ocorreu a primeira tentativa de regulamentar as pesquisas científicas com seres humanos. Entretanto, a preocupação ética com a população economicamente desfavorecida foi evidenciada com a criação do SUS, em 1990.
Em 1996, o CNS aprovou a resolução 196 do Ministério da Saúde:









Nenhum comentário:
Postar um comentário