Por volta de 350 a.C, viveu, na Grécia ainda gloriosa, um senhor conhecido como Aristóteles. Nascido em Estagira, de cabelos curtos e pele bronzeada, passou seus longos anos de vida questionando o mundo ao seu redor e tornou-se um grande nome da Filosofia. Mas o que tem a ver esse singelo senhor com a Epistemologia?
Aristóteles, na sua caminhada rumo à sabedoria, construiu diversos conceitos à frente de seu tempo, que perduraram e até hoje são base ao nosso conhecimento ou à Epistemologia.
É claro que não foi simplesmente num despertar que Aristóteles descreveu seu conceito do que seria o conhecimento, como obtê-lo ou sua natureza, mas num divagar e questionar constante que o levaram às seguintes proposições:
I) o conhecimento está baseado em três princípios: a Doxa, a Sofia e a Episteme.
A Doxa é o conhecimento espontâneo ligado à experiência cotidiana, que é um misto de verdade e de erro. A Sofia é aquela sabedoria que se adquire depois de um longo período de vivência, como quando estamos velhinhos. E a Episteme é o processo de introdução de um método ao conhecimento, tornando-o sistematizado.
II) Então, o conhecimento pode ser obtido de duas formas: pelo Racionalismo ou pelo Empirismo.
O Racionalismo obtém o conhecimento de algo a partir do questionamento racional sobre aquele objeto, como faz a Ciência, atualmente. Já o Empirismo dá-nos conhecimento através das experiências que vivemos com tal objeto de estudo. É como quando vemos o céu nublado repetidas vezes, então logo chove, e passamos a crer que um céu nublado terminará sempre em chuva, criando um Senso Comum.
III) O resultado será um conhecimento: Objetivo ou Subjetivo.
Sendo que, conhecer objetivamente algo significa tomar impressões imparciais sobre aquele objeto e ser fiel a ela, como se faz com as crenças religiosas. Ser subjetivo, ao contrário, configura um conhecimento baseado nas suas impressões sobre tal objeto, e não como ele realmente é. O ramo das Artes é um excelente exemplo dessa subjetividade. Quando Picasso retratava suas mulheres cúbicas, não lhes dava a aparência real, mas imprimia em seus quadros a sua impressão daquelas modelos.
Com tantas resoluções sobre o conhecimento, Aristóteles germinou a Epistemologia que conhecemos hoje. É claro que o cursar da História modificou profundamente o que hoje entendemos por Conhecimento e nessa, mergulhados num período histórico difuso e confuso, passando pela Idade das Trevas científica e por guerras, foi por volta de 1930 que a discussão sobre o que é Conhecimento Epistemológico ganhou contribuições importantes.
Dois nomes notáveis desse momento foram Robert Nozick e Edmund Gettier. Contemporâneos, mas contrários, Nozick e Gettier deram o que discutir. À época, a obtenção do conhecimento poderia ser:
I) Proposicional: aquele “saber que” adquirido, por exemplo, com as matérias da escola. Eu sei que 2+2= 4, você sabe que a independência do Brasil se deu em 1822 e nós sabemos que os furacões são ciclones tropicais formados sobre águas oceânicas.
II) Familiaridade: é a forma de conhecimento que nos permite dizer que os furacões ali de cima causam muitos estragos, quando atingem o continente. Aprendemos isso pelo convívio com essas catástrofes climáticas e pelos noticiários constantes sobre a destruição, atualmente, do furacão Irma. Conceituando, o conhecimento familiar é aquele que obtemos pelo contato que temos com nosso objeto de estudo.
III)Know-how: aprender e praticar te levam ao conhecimento pelo Know-How. A expressão americana ao pé da letra quer dizer “saber como” fazer, conhecer o âmago de uma técnica ou seu objeto, pela prática que se tem com ele.
Então, sobre que discutiam Nozick e Gettier? Sobre a fundamentação do conhecimento Proposicional, formulada por Nozick, que era constituído por três preceitos: a existência da Crença e a sua Justificação, que configurava o conhecimento Verdadeiro.
No papel, a Crença dá-se pela confiança ou fé em algo, a Justificação é a razão firme que se tem para ter determinada crença e a Verdade é a confirmação da crença, que leva ao seu conhecimento verdadeiro.
Gettier discordava da aplicação prática da Justificação proposta por Nozick. Para Gettier, algumas crenças são verdadeiras e justificadas, mas não configuram o Conhecimento Epistemológico. Em defesa de sua crítica, Gettier bolou o seguinte exemplo, conhecido como O Problema de Gettier:
Smith e John trabalham no mesmo escritório. Numa manhã, debatendo sobre suas riquezas, Smith pede que John lhe mostre quantas moedas tem no bolso e ele percebe que John tem 10 moedas no bolso. Mais tarde, no trabalho, o chefe de Smith, uma pessoa confiável, lhe diz que John será promovido em breve. Nesse momento então, podemos dizer que Smith sabe que:
Perto da hora de anunciar a promoção, o chefe anuncia que, na verdade, o promovido será Smith. Muito feliz, Smith decide ir ao bar tomar uma cerveja para comemorar, mas percebe que apenas tinha 10 moedas no bolso e que não seria suficiente. Então, vai embora para sua casa.
-Smith tinha uma crença: o homem com 10 moedas no bolso será promovido.
-Smith tinha Justificativa para essa crença: o chefe era uma pessoa confiável.
-Logo, a crença de Smith era Verdadeira.
Porém, vemos que o homem com 10 moedas no bolso que foi promovido não era John, e sim Smith. E resumo, Smith tinha uma crença justificada e verdadeira, mas esse conhecimento não era Epistemológico, pois ele não refletia a realidade.
E você, o que pensa sobre o Problema de Gettier? Deixe a sua
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